Projetos de Pesquisa e Extensão

# PROJETOS DE PESQUISA EM ANDAMENTO:

POLÍTICAS DO CORPO: PSICANÁLISE E ARTE

Coord. Profa. Dra Ana Lúcia Mandelli de Marsillac

(2017 a 2020)

Este é um projeto de pesquisa guarda-chuva, que agrega duas linhas de pesquisa. Ambas se localizam na interface entre os campos da psicanálise e das artes e têm como foco a articulação entre os temas da política, do corpo, da clínica e da criação. São elas: Linha 1) Clínica Psicanalítica: o corpo na clínica – Análise de experiência e estudos de casos clínicos, na perspectiva da clínica psicanalítica, que coloquem em questão o tema do corpo e do ato analítico. Linha 2) Leitura de Obras: o corpo na arte contemporânea – Pesquisa e análise de obras de artistas visuais contemporâneos que abordam o tema do corpo e do ato criativo.   As políticas do corpo pautam-se nas concepções e posicionamentos de diferentes saberes no que se refere ao corpo. Elas estão presentes na epistemologia, na ética, nos fazeres e nos ideais. São balizadas por seus contextos históricos e manifestam-se nas subjetividades, nos movimentos sociais, na legislação, nos fazeres técnicos, nas obras de arte, nos hábitos, nos valores, nos desejos e perspectivas de futuro. Ao se debruçar sobre a prática clínica psicanalítica e a prática artística, buscaremos dar visibilidade às perspectivas políticas que esses dois campos sustentam em relação ao corpo. Psicanálise e arte são campos de saber que buscam uma reflexão crítica aos seus contextos e, paradoxalmente, o constituem, instituindo novas realidades. Este projeto, sustentado pela ética e pela metodologia da psicanálise, sublinha a complexidade dos fazeres de psicanalistas e artistas. Busca analisar os produtos de suas práticas, ou seja, casos clínicos, relatos de experiência, obras e/ou projetos desenvolvidos, que permitirão aprofundamentos sobre as interfaces entre a clínica psicanalítica e os processos criativos. Essas práticas refletem e produzem políticas do corpo na contemporaneidade. A dimensão política da pesquisa também se efetiva na escolha teórico-metodológica. Pautada em uma perspectiva crítica em relação aos ideais dominantes de corpo na contemporaneidade, foca sua busca nas práticas que se dão nas fronteiras entre saberes e espaços. Vamos, então, pela arte e pela clínica psicanalítica, para uma dimensão da experiência bem diferente da que governa a lógica contemporânea, que se centra na técnica e evita deparar-se com a falta. Sustentamos que é a partir do foco no sujeito e do encontro com o estranho, que podemos fazer furo na repetição, desfazer a forma, tornando-se impossível sustentar uma unidade que não há. Enfatizar a singularidade do corpo, através dos saberes da arte contemporânea e da psicanálise, pode contribuir para questionar a lógica da homogeneização das diferenças tão presente na atualidade. Além disso, esse encontro possibilita destacarmos o valor da enunciação, sublinhando a dimensão inconsciente que constitui o sujeito e seu corpo.

PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO, CLÍNICA AMPLIADA E SOFRIMENTO PSÍQUICO

Coord. Profa. Dra. Mériti de Sousa

Descrição: O objetivo desse projeto é produzir conhecimento crítico visando estabelecer e consolidar pressupostos teóricos e metodológicos necessários à implementação de práticas clínicas ampliadas que possam dar conta da escuta das novas modalidades e das novas manifestações do sofrimento psíquico. A literatura sobre o tema explicita a existência de impasses no plano da teoria e das estratégias de obtenção do conhecimento derivados do recorte disciplinar hegemônico na tradição ocidental moderna. Para abordar tal impasse, entendemos serem necessárias uma visada interdisciplinar e o recurso a referências teóricas de diversas áreas do conhecimento que possam sustentar a escuta do sofrimento psíquico a partir de contextos e instituições diversas, e que possam sustentar a escuta e a abordagem do sofrimento psíquico realizadas em enquadres tradicionais e não tradicionais. De forma específica interessa: (a) problematizar o conhecimento que tradicionalmente sustenta a clinica apoiado na metafísica da presença, na lógica linear e causal, nos binarismos, na substantivação da realidade e da subjetividade; (b) pesquisar as novas manifestações do sofrimento psíquico a partir dos modos atuais de produção da subjetividade; (c) aprofundar o conhecimento produzido interdisciplinarmente como sustentáculo de estratégias de intervenção psicológica a partir de enquadres tradicionais e não tradicionais que venham ao encontro da demanda da população atendida.

 

CONHECIMENTO, LINGUAGEM, REPRESENTAÇÃO IDENTITÁRIA: APORTES DE JACQUES DERRIDA ACERCA DO MÉTODO E DA SUBJETIVIDADE

Coord. Profa. Dra. Mériti de Sousa

Descrição: O trajeto histórico da sociedade ocidental e moderna acompanha um intrincado cenário de poder e saber que cauciona leituras sobre a realidade, a subjetividade, o conhecimento, bem como, adota os parâmetros da metafísica da presença e da lógica formal. O poder se articula ao saber e sustentam teorias e práticas nas mais diversas áreas do conhecimento que tanto ancoram as representações identitárias e a linguagem quanto positivam os pressupostos da modernidade. Assim, a lógica formal e a metafísica da presença sustentam o modelo hegemônico de conhecimento centrado na modalidade denominada ciência e na modalidade de constituição subjetiva calcada no sujeito epistêmico e na representação identitária. A partir do exposto é possível entender que o modelo tradicional hegemônico de conhecer e de subjetivar também se sustenta ao propor a elaboração e a validação de uma rede conceitual que dissemina uma linguagem centrada em conceitos que procuram se estabelecer como verdadeiros e disseminar a concepção do signo como constituído pelo representado e pelo representante a partir da articulação entre significante e significado (Foucault, 1987, 1990; Morin, 1998, 2006; Canguilhem, 1977; Derrida, 1971, 1991, 1999, 2002, 2008). No cenário contemporâneo o conhecimento produzido por diferentes áreas apontam à necessidade da assunção de outros elementos para além dos pressupostos hegemônicos calcados no sujeito cognoscente e na lógica formal causal e linear Em outras palavras, o método científico diz respeito a específico modo de produção e de transmissão do conhecimento que conquista hegemonia no ocidente moderno. Assim, as matrizes teóricas que sustentam a maioria das teorias e das práticas encontram respaldo nos pressupostos da tradição predominante e do método cartesiano que desqualificam o devir, o negativo, o descontínuo, a diferença, o indecidivel, o inconsciente, o singular, a contradição (Morin 1998, 2006; Foucault, 1987, 1990; Butler, 2003, 1997; Chaui, 1998, 2006). Não obstante, modalidades contemporâneas de produzir e de transmitir conhecimento são produzidas por áreas como a física, a matemática, a filosofia, dentre outras, e questionam a primazia dos pressupostos da lógica formal, da exclusividade do universal, da relação causal linear, da representação identitária. De forma específica, Derrida analisa e critica o conceito de signo que acompanha as leituras clássicas da linguagem, e o conceito de representação identitária, ao criticar a predominância da substância como referência a constituição da realidade. Derrida propõe os conceitos de rastro, differánce, devir, khôra, dentre outros, contrapondo-os aos conceitos de representação identitária como parâmetro para o sujeito e de linguagem como signo composto pelo par binário significante e significado. Assim, as leituras de Derrida possibilitam questionar a presença e a substância como modalidades a priori para configurarem a linguagem e para a representação identitária. Essa afirmação demanda problematizar a modalidade epistemológica moderna que organiza um pensamento, uma linguagem, uma escrita, ancorada na operação de representar que supostamente (re) apresenta ao sujeito a temporalidade e a materialidade da realidade, do conhecimento e da subjetividade. Considerando esse contexto marca esta pesquisa a análise dos pressupostos de linguagem e de sujeito na obra de Jaques Derrida nas suas relações com o processo de produzir conhecimento denominado método e com o modo de subjetivar associado ao sujeito.  

 

# PROJETOS DE EXTENSÃO EM ANDAMENTO:

Acompanhamento Terapêutico: Clínica e Criação na Cidade  (Desenvolvido desde 2014)

O presente projeto busca constituir um espaço de formação e atenção à saúde, vinculando a Universidade Federal de Santa Catarina à rede de saúde pública do município de Florianópolis. Organiza-se a partir de um grupo de estudos sobre a clínica da psicose e o dispositivo do Acompanhamento Terapêutico (AT). Além disso, desdobra-se em propostas de intervenção vinculadas a esse dispositivo, desenvolvidas pelos estudantes, profissionais da redes e professores da UFSC, a usuários encaminhados pela rede pública municipal. O Acompanhamento Terapêutico pode ser caracterizado como uma importante modalidade da clínica da psicose e dos casos de sofrimento psíquico grave, que se desdobra no espaço da cidade, ampliando o setting tradicional, envolvendo a criação de novas propostas clínicas e inventivas a todos os participantes envolvidos e, nesse mesmo gesto, fortalece a reforma psiquiátrica.

 

Corpo e subjetividade na clínica psicanalítica

Este projeto visa a prestação de atendimentos clínicos, sustentados pela ética e método da psicanálise, a usuários do SAPSI. Destina-se também à formação de estudantes atrelados ao PPGP/UFSC ou ao curso de psicologia (que já realizaram seu estágio obrigatório na ênfase: saúde e processos clínicos), possibilitando que desenvolvam prática clínica supervisionada. Os atendimentos serão realizados pelos estudantes e supervisionados pela Prof. coordenadora do projeto, com periodicidade semanal. Justifica-se pela demanda crescente por atendimentos psicológicos no SAPSI e pelo baixo número de estagiários atrelados a esse serviço, incrementando a capacidade de responder a essas demandas pelo serviço e possibilitando maior oferta de atendimento clínico aos usuários . Além disso, visa qualificar a formação dos estudantes de psicologia atrelados à pós-graduação e graduação e a produção de conhecimento, que envolva a ética e a técnica da psicanálise e se debruce sobre as interfaces entre corpo e subjetividade.